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CURTA-METRAGEM CANADENSE CONTA A VIDA DE UM ADOLESCENTE INTEIRAMENTE PELA TELA DE SEU COMPUTADOR.

Talvez seja clichê afirmar que a sociedade de hoje cada vez mais vive sua vida por meio de telas. Mas até que ponto podemos comprovar a veracidade dessa afirmação?

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US NOW

Tudo o que podemos governar? O documentário Us Now analisa a forma como a participação ‘user’ poderia transformar a maneira que os países são governados. Ele conta as histórias das redes online cujas estruturas de auto-organização radical ameaçam mudar a estrutura do governo para sempre. Us Now segue o destino de Ebbsfleet United, um clube de futebol de propriedade e administrado por seus fãs; Zopa, um banco no qual todos é o gerente; e Couch Surfing, uma vasta rede online cujos membros compartilham suas casas com estranhos.
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FILMES INDICADOS - Catfish O Filme

O documentário conta a história de Nev, um fotógrafo de Nova Iorque de 24 anos que acaba conhecendo a artista Megan e iniciando um romance online. Ao ouvirem revelações surpreendentes sobre a moça, Nev e seus amigos embarcam em uma viagem em busca da verdade.

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FILMES INDICADOS - DEPOIS DE LUCIA.

 

 

 

Recém chegados a uma nova cidade, Alejandra e seu pai tentam se adaptar, ela em uma nova escola, ele em um novo emprego. Mas recomeçar é complicado quando existem muitas lembranças.

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FILMES INDICADOS - DISCONNECT

Este drama mostra várias histórias pessoais, tendo em comum os efeitos perversos do uso excessivo de tecnologia, Internet e telefones celulares. A vida de um casal entra em perigo quando sua vida privada é exposta online, uma viúva e antiga policial descobre que seu filho humilha um garoto da escola pela Internet, um advogado obcecado por seu telefone não consegue se comunicar com a própria família, e uma jornalista vê sua vida se transformar quando ela pesquisa a história de um adolescente que faz atuações eróticas pela webcam.

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FILMES INDICADOS - BULLYING VIRTUAL (CYBERBULLY).

Taylor é uma adolescente que ganha um computador de aniversário e acaba se tornando vítima de bullying pela internet. Com medo de enfrentar seus amigos e colegas na escola, a jovem busca um grupo de ajuda onde conhece outros adolescentes com experiências parecidas.

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Cyberbully

 

 

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SOCIEDADE DO CONHECIMENTO

Sally Burch

Sociedade da informação/ Sociedade do conhecimento Por Sally Burch Estamos vivendo numa época de mudanças ou numa mudança de época? Como caracterizar as profundas transformações que acompanham a acelerada introdução na sociedade da inteligência artificial e as novas tecnologias da informação e da comunicação (TIC)? Trata-se de uma nova etapa da sociedade industrial ou estamos entrando numa nova era? “Aldeia global”,“era tecnotrônica”,“sociedade pós-industrial”, “era – ou sociedade – da informação”e “sociedade do conhecimento” são alguns dos termos cunhados com a intenção de identificar e entender o alcance destas mudanças. Mas, enquanto o debate continua no âmbito teórico, a realidade se adianta e os meios de comunicação escolhem os nomes que temos de usar. Fundamentalmente, qualquer termo que usemos é um atalho que nos permite fazer referência a um fenômeno – atual ou futuro – sem ter de descrevê-lo todas as vezes; mas o termo escolhido não define, por si só, um conteúdo. O conteúdo surge dos usos em um dado contexto social que, por sua vez, influem nas percepções e expectativas, uma vez que cada termo carrega consigo um passado e um sentido (ou sentidos), com sua respectiva bagagem ideológica. Era de se esperar, então, que qualquer termo que se queira empregar para designar a sociedade na qual vivemos, ou à qual aspiramos, seja objeto de uma disputa de sentidos, por trás da qual se confrontam diferentes projetos de sociedade. No contexto da Cimeira Mundial da Sociedade da Informação (CMSI), há dois termos que ocuparam o cenário: sociedade da informação e sociedade do ¬conhecimento com suas respectivas variantes. Mas, apesar de o âmbito ter imposto o uso do primeiro, desde o início houve falta de conformidade e nenhum termo conseguiu um consenso. História dos termos Sociedade da informação Na década passada, “sociedade da informação” foi, sem dúvida, a expressão que se consagrou como o termo hegemônico, não porque expresse necessariamente uma clareza teórica, mas graças ao batismo que recebeu nas políticas oficiais dos países mais desenvolvidos e a glorificação que significou ter uma Cúpula Mundial dedicada à sua honra.  Os antecedentes do termo, contudo, datam de décadas anteriores. Em 1973, o sociólogo estadunidense Daniel Bell introduziu a noção da “sociedade de informação” em seu livro O advento da sociedade pós-industrial [1]. Neste livro, ele formula que o eixo principal desta sociedade será o conhecimento teórico e adverte que os serviços baseados no conhecimento terão de se converter na estrutura central da nova economia e de uma sociedade sustentada na informação, onde as ideologias serão supérfluas. Esta expressão reaparece com força nos anos 90, no contexto do desenvolvimento da Internet e das TIC. A partir de 1995, foi incluída na agenda das reuniões do G7 (depois, G8, onde se reúnem os chefes de Estado ou governos das nações mais poderosas do planeta). Foi abordada em fóruns da Comunidade Européia e da OCDE (os trinta países mais desenvolvidos do mundo) e foi adotada pelo governo dos Estados Unidos, assim como por várias agências das Nações Unidas e pelo Banco Mundial. Tudo isso com uma grande repercussão mediática. A partir de 1998, foi escolhida, primeiro na União Internacional de Telecomunicações e, depois, na ONU para nome da Cúpula Mundial programada para 2003 e 2005. Neste contexto, o conceito de “sociedade da informação” como construção política e ideológica se desenvolveu das mãos da globalização neoliberal, cuja principal meta foi acelerar a instauração de um mercado mundial aberto e “auto-regulado”. Política que contou com a estreita colaboração de organismos multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, para que os países fracos abandonem as regulamentações nacionais ou medidas protecionistas que “desencorajassem” o investimento; tudo isso com o conhecido resultado da escandalosa intensificação dos abismos entre ricos e pobres no mundo. Na verdade, no final do século, quando a maioria dos países desenvolvidos já havia adotado políticas de desenvolvimento da infra-estrutura das TIC, ocorre o espetacular auge do mercado de ações da indústria das comunicações. Entretanto, os mercados do Norte começam a se saturar. Assim, intensificam-se as pressões com relação aos países em desenvolvimento para que deixem a via livre ao investimento das empresas de telecomunicações e informática em busca de novos mercados para absorver seus excedentes de lucros. Neste contexto convocado pela CMSI; esse panorama se modifica, entretanto, uma vez que a bolha do mercado de ações estoura, a partir do ano 2000. No entanto, esta realidade e o papel-chave que as tecnologias da comunicação desempenharam na aceleração da globalização econômica, sua imagem pública, está mais associada aos aspectos mais “amigáveis” da globalização como a Internet, a telefonia celular e internacional, a TV via satélite, etc. Assim, a sociedade da informação assumiu a função de  3 “embaixadora da boa vontade” da globalização, cujos “benefícios” poderiam estar ao alcance de todos, se pelo menos fosse possível diminuir o “abismo digital.” [2] Sociedade do conhecimento   A noção de “sociedade do conhecimento” (knowledge society) surgiu no final da década de 90. É empregada, particularmente, nos meios acadêmicos como alternativa que alguns preferem à “sociedade da informação”. A UNESCO, em particular, adotou o termo “sociedade do conhecimento” ou sua variante “sociedades do saber” dentro de suas políticas institucionais. Desenvolveu uma reflexão em torno do assunto que busca incorporar uma concepção mais integral, não ligada apenas à dimensão econômica. Por exemplo, Abdul Waheed Khan (subdiretor-geral da UNESCO para Comunicação e Informação), escreve [3]: “A Sociedade da Informação é a pedra angular das sociedades do conhecimento. O conceito de “sociedade da informação”, a meu ver, está relacionado à idéia da “inovação tecnológica”, enquanto o conceito de “sociedades do conhecimento” inclui uma dimensão de transformação social, cultural, econômica, política e institucional, assim como uma perspectiva mais pluralista e de desenvolvimento. O conceito de “sociedades do conhecimento” é preferível ao da “sociedade da informação” já que expressa melhor a complexidade e o dinamismo das mudanças que estão ocorrendo. (…) o conhecimento em questão não só é importante para o crescimento econômico, mas também para fortalecer e desenvolver todos os setores da sociedade”. Um detalhe neste debate, que apenas diz respeito aos idiomas latinos, é a distinção entre “conhecimento” ou “saber” (em inglês, ambos são traduzidos como “knowledge society”). A noção de “saberes” implica certezas mais precisas ou práticas, enquanto que conhecimento abarca uma compreensão mais global ou analítica. André Gorz considera que os conhecimentos se referem aos “conteúdos formalizados, objetivados, que não podem, por definição, pertencer às pessoas… O saber está feito de experiências e práticas que se tornaram evidências intuitivas e costumes” [4]. Para Gorz, a “inteligência” abarca toda a gama de capacidades que permite combinar saberes com conhecimento. Sugere, então, que “knowledge society” seja traduzida por “sociedade da inteligência”.  Em todo caso, geralmente, neste contexto, utiliza-se indistintamente sociedade do conhecimento e do saber, embora em espanhol, pelo menos, conhecimento pareça ser mais comum.  Definições atuais: o estado-da-arte É preciso diferenciar aqui aquelas definições que visam a caracterizar uma realidade existente ou emergente daquelas que expressam uma visão – ou desejo – de uma sociedade potencial. As duas têm sua relevância: as primeiras por sua contribuição à análise, as segundas porque orientam políticas e ações. Na primeira categoria, vamos nos referir a Manuel Castells por ser um dos pesquisadores que mais ¬desenvolveram o assunto, além de ser autoridade reconhecida na matéria. Castells prefere o termo “sociedade informacional” que “sociedade da informação” (fazendo a comparação com a diferença entre indústria e industrial). Ele destaca que, embora o conhecimento e a informação sejam elementos decisivos em todos os modos de desenvolvimento, “o termo informacional indica o atributo de uma forma específica de organização social na qual a geração, o processamento e a transmissão de informação se convertem nas fontes fundamentais da produtividade e do poder por conta das novas condições tecnológicas surgidas neste período histórico” [5].  A seguir explica: “O que caracteriza a revolução tecnológica atual não é o caráter central do conhecimento e da informação, mas a aplicação deste conhecimento e informação a aparatos de geração de conhecimento e processamento da informação/comunicação, em um círculo de retroalimentação acumulativa entre a inovação e seus usos”. E observa: “A difusão da tecnologia amplifica infinitamente seu poder ao se apropriar de seus usuários e redefini-los. As novas tecnologias da informação não são apenas ferramentas para se aplicar, mas processos para se desenvolver. (…) Pela primeira vez na história, a mente humana é uma força produtiva direta, não apenas um elemento decisivo do sistema de produção” [6].  Com relação à sociedade do conhecimento, em uma publicação posterior, ressalta: “trata-se de uma sociedade na qual as condições de geração de conhecimento e processamento de informação foram substancialmente alteradas por uma revolução tecnológica centrada no processamento de informação, na geração do conhecimento e nas tecnologias da informação” [7].  Yves Courrier, referindo-se a Castells, diferencia os dois termos desta forma: “sociedade da informação” coloca a ênfase no conteúdo do trabalho (o processo de captar, processar e comunicar as informações necessárias), e “sociedade do conhecimento” nos agentes econômicos que devem possuir qualificações superiores para o exercício do seu trabalho [8]. Com respeito às opiniões, destacam-se os documentos originados da CMSI por serem resultados de um processo mundial. A Declaração de Princípios de Genebra [9], adotada pelos governos – com significativas contribuições da sociedade civil -, expressa em seu primeiro artigo: “Nós (…) declaramos nosso desejo e compromisso comuns de construir uma Sociedade da Informação centrada na pessoa, integradora e orientada ao desenvolvimento, em que todos possam criar, consultar, utilizar e compartilhar a informação e o conhecimento, para que as pessoas, as comunidades e os povos possam empregar plenamente suas possibilidades na promoção do seu desenvolvimento sustentável e na melhoria da sua qualidade de vida, sobre a base dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e respeitando plenamente e defendendo a Declaração Universal dos Direitos Humanos”. Por sua vez, a Declaração da Sociedade Civil [10] estende sua visão sobre vários parágrafos, mas o essencial diz:  5  “Nós nos comprometemos a constituir sociedades da informação e da comunicação centradas nas pessoas, abrangentes e eqüitativas. Sociedades nas quais todos possam criar, utilizar, compartilhar e disseminar livremente informação e conhecimento, assim como ter acesso a eles para que indivíduos, comunidades e povos sejam habilitados para melhorar sua qualidade de vida e colocar em prática todo seu potencial”. Depois, esta Declaração acrescenta os princípios de justiça social, política e econômica, e da plena participação e habilitação dos povos; destaca os objetivos de desenvolvimento sustentável, democracia e igualdade de gênero; e evoca sociedades onde o desenvolvimento se enquadre nos direitos humanos fundamentais e esteja orientado para alcançar uma distribuição mais eqüitativa dos recursos. Debates em curso Uma das metas estabelecidas na convocatória da primeira fase da CMSI era, justamente, a de desenvolver uma visão comum da sociedade da informação. Ainda que boa parte das delegações governamentais e do setor privado desse pouca importância a este aspecto, para muitas organizações da sociedade civil, tratava-se de um aspecto-chave, pois aí acontecia a discussão sobre os sentidos, colocando em evidência a confrontação de projetos de sociedade.  De fato, – pelo menos – dois enfoques distintos cruzaram todo o processo e que, de modo geral, podem ser resumidos como segue : Para o primeiro enfoque, falar de sociedade da informação refere-se a um novo paradigma de desenvolvimento, que atribui à tecnologia um papel causal no sistema social, situando-a como motor do desenvolvimento econômico. Para os países em desenvolvimento, a implicação deste discurso é que a transição para a sociedade da informação é essencialmente uma questão de tempo, e de decisão política para criar as “condições habilitadoras” adequadas [12]. Algo parecido aconteceria com relação aos setores sociais afetados pelo abismo digital, que teriam de ser incluídos, por meio de programas de acesso universal. Ao colocar a tecnologia no centro deste modelo, a indústria de telecomunicações aparece como a chamada para liderar seu desenvolvimento; enquanto que a indústria produtora de serviços e conteúdos digitais assume uma influência inédita [13]. No segundo enfoque, que refutou este primeiro no transcurso da Cúpula, entende que a nova etapa do desenvolvimento humano, na qual estamos entrando, se caracteriza pelo predomínio que alcançaram a informação, a comunicação e o conhecimento na economia e no conjunto de atividades humanas. Sob a perspectiva deste enfoque, a tecnologia é o suporte que desencadeou uma aceleração deste processo; mas não é um fator neutro, nem seu rumo é inexorável, posto que o próprio desenvolvimento tecnológico seja orientado por jogos de interesses. Nesta perspectiva, as políticas para o desenvolvimento da sociedade da informação devem ser centralizadas nos seres humanos, conforme suas  6 necessidades e dentro de um contexto de direitos humanos e justiça social [14]. Os países em desenvolvimento e os atores sociais deveriam ter um papel-chave na orientação do tal processo e das decisões.  Em outras palavras, para este segundo enfoque, o fundamental não é “informação”, mas “sociedade”. Enquanto a primeira faz referência a dados, canais de ¬transmissão e espaços de armazenagem, a segunda fala de seres humanos, de culturas, de formas de organização e comunicação. A informação é determinada conforme a sociedade, e não ao contrário.  Por isso, a Campanha pelos Direitos para a Comunicação na Sociedade da Informação (CRIS), ressalta no documento sobre a CMSI, “A Pergunta para a Sociedade Civil” [15]:  “Se a sociedade civil adotar e resgatar a noção de uma sociedade da informação, deverá retornar a estas noções básicas, propondo as perguntas corretas: Quem gera e possui a informação e o conhecimento? De que maneira está valorizado? De que maneira o conhecimento é difundido e distribuído? Quem são os guardiões? O que limita e facilita o uso do conhecimento por parte das pessoas para alcançar suas metas? Quem está melhor e pior posicionado para aproveitar este conhecimento?”   Formulações alternativas em debate Dado o predomínio adquirido pelo termo “sociedade da informação”, as formulações alternativas tendem a tomar esta como referente para se demarcar. Uma primeira objeção tem a ver com a palavra “sociedade” no singular, como se fosse o caso de uma sociedade mundial uniforme. Propõe-se como alternativa falar de “sociedades” (no plural) da informação ou do conhecimento. Vários documentos da UNESCO se referem às “sociedades do conhecimento” (ou do saber). Esta idéia foi tomada por membros da sociedade civil da Cúpula que adotaram o termo “sociedades” em seus documentos de consenso. Com relação à “informação”, o argumento levantado por Antonio Pasuali (2002) teve bastante repercussão dentre a sociedade civil na Cúpula [16]: “Informar denota essencialmente mensagens unidirecionais causativas e ordenadoras com tendência a modificar o comportamento de um receptor passivo; Comunicar, a inter-relação de mensagens relacionais, dialogais e socializantes entre interlocutores igualmente habilitados para uma livre e simultânea recepção/emissão. Se a Informação tende a dissociar e hierarquizar os pólos da relação, a Comunicação tende a associá-los; só Comunicação pode fazer nascer a estruturas sociais”. (Ênfase da autora). E, de fato, os documentos de consenso da sociedade civil adotaram a fórmula “sociedades da informação e da comunicação” para se demarcar da visão tecnocêntrica presente no discurso oficial, sem perder a referência ao  7 tema da Cúpula. Poder-se-ia considerar que esta opção foi um gesto importante no contexto da CMSI; mas não deixa de ser uma formulação pesada para o uso corrente. Com respeito ao debate em torno da “sociedade do conhecimento”, quem o defende considera que evoca, justamente, uma visão mais integral e um processo essencialmente humano. Outros, contudo, se opõem pela associação com o conceito dominante, que reduz o conhecimento à sua função econômica (a noção, por exemplo, do “knowledge management” nas empresas, que sugere essencialmente como obter e tirar proveito dos conhecimentos dos seus empregados); o que valoriza somente o tipo de conhecimento supostamente objetivo, científico e digitalizável em deterioração daqueles que não o são. Uma variante interessante, que surgiu no contexto dos debates sobre a CMSI, embora tivesse pouca repercussão no processo, é a de “sociedade(s) do saber compartilhado” ou “dos saberes compartilhados”. Foi proposta, entre outros, por Adama Samassékou,(na época, presidente do bureau CMSI), que disse da sociedade da informação: “É importante compreender o que cobre este conceito: não se trata tanto de uma informação que se difunde e se compartilha como de uma sociedade na qual se quer comunicar de outra maneira e compartilhar um saber. Trata-se, pois, de uma sociedade do saber compartilhado e do conhecimento” [17]. Definições alternadas O conceito de “sociedade da informação”, nascido sob os preceitos da globalização neoliberal, subentende que, daqui para frente, serão as “revoluções tecnológicas”, as que determinam o rumo do ¬desenvolvimento; os ¬conflitos sociais seriam coisas do passado. Por isso mesmo, este conceito não é o mais adequado, nem para qualificar as novas tendências das sociedades, nem muito menos para descrever um projeto contra-hegemônico de sociedade. Nossa proposta é que, mais além de debater o apropriado de tal ou qual termo, o fundamental é refutar e deslegitimar qualquer termo ou definição que reforce esta concepção tecnocêntrica da sociedade. Não pretendemos aqui propor uma fórmula alternativa, mas sim colocar em consideração alguns critérios para alimentar o debate. Primeiro, acolhemos a noção de que qualquer referência às “sociedades” deva ser no plural, reconhecendo a heterogeneidade e diversidade das sociedades humanas. Isso implica também reafirmar o interesse de que cada sociedade se aproprie das tecnologias para suas prioridades particulares de desenvolvimento e não que deva se adaptar a elas para poder fazer parte de uma suposta sociedade da informação pré-definida. Segundo, afirmamos que qualquer definição que use o termo “sociedade” não pode descrever uma realidade circunscrita à Internet ou às TIC. A Internet pode ser um novo cenário de interação social, mas essa interação é estreitamente integrada ao mundo físico, e os dois âmbitos se transformam mutuamente. E, por último, apostamos em um projeto de sociedade onde a informação seja um bem público, não uma mercadoria, a comunicação um processo participativo e interativo, o conhecimento uma construção social compartilhada, não propriedade privada, e as tecnologias um suporte para tudo isso, sem que se convertam em um fim em si. 29 de Maio de 2006   Este texto é extraído do livro Desafios de Palavras: Enfoques Multiculturais sobre as Sociedades da Informação. Coordenado por Alain Ambrosi, Valérie Peugeot e Daniel Pimienta, este livro foi publicado em 5 de novembro de 2005 por C & F Éditions. O texto é publicado por licença Creative Commons Atribuição; não é autorizado uso comercial.

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TECNOLOGIA NA ESCOLA : CRIAÇÃO DE REDES DE CONHECIMENTOS

O uso da tecnologia de informação e comunicação – TIC na escola carrega em si mesmo as contradições da sociedade contemporânea. De um lado, dados do IBGE1 (1999) apontam 13,3% de analfabetos com idade de 15 ou mais anos e média de 5,7 anos de estudos para pessoas de 10 ou mais anos de idade. Ressalta-se, ainda, a preocupação com os altos índices de analfabetos funcionais considerados pelo IBGE como as pessoas que não completaram as quatro primeiras séries do Ensino Fundamental. Por outro lado, o mundo digital invade nossas vidas e torna-se imperioso inserir-se na sociedade do conhecimento. Como superar essa contradição? Como participar da sociedade do conhecimento e, ao mesmo tempo, ajudar a diminuir esses índices que nos deixam abaixo de diversos países, inclusive os da América Latina?

Inserir-se na sociedade da informação não quer dizer apenas ter acesso à tecnologia de informação e comunicação - TIC, mas principalmente saber utilizar essa tecnologia para a busca e a seleção de informações que permita a cada pessoa resolver os problemas do cotidiano, compreender o mundo e atuar na transformação de seu contexto. Assim, o uso da TIC com vistas à criação de uma rede de conhecimentos favorece a democratização do acesso à informação, a troca de informações e experiências, a compreensão crítica da realidade e o desenvolvimento humano, social, cultural e educacional. Tudo isso poderá levar à criação de uma sociedade mais justa e igualitária.

Como criar redes de conhecimentos? O que significa aprender quando se trabalha com redes de conhecimentos? Como inserir o uso de redes de conhecimentos na escola? O que cabe ao educador nessa criação?

A metáfora de rede considera o conhecimento como uma construção decorrente das interações dohomem com o meio. À medida que o homem interage com o contexto e com os objetos aí existentes, ele atua sobre esses objetos, retira informações que lhe são significativas, identifica estes objetos e os incorpora à sua rede, transformando o meio e sendo transformado por ele.

O uso da TIC na criação de rede de conhecimentos traz subjacente a provisoriedade e a transitoriedade do conhecimento, cujos conceitos articulados constituem os nós dessa rede, flexível e sempre aberta a novas conexões, as quais favorecem compreender “problemas globais e fundamentais para neles inserir os conhecimentos parciais e locais” (Morin, 2000, p. 14)2.

Com o uso da TIC e da Internet pode-se navegar livremente pelos hipertextos de forma não-seqüencial, sem uma trajetória predefinida, estabelecer múltiplas conexões, tornar-se mais participativo, comunicativo e criativo, libertar-se da distribuição homogênea de informações e assumir a comunicação multidirecional com vistas a tecer a própria rede de conhecimentos.

As conexões dessa rede surgem sem determinações precisas, incorporam o acaso, a indeterminação, a diversidade, a ambigüidade e a incerteza (Morin, 1996)3. Trata-se de uma constante abertura a novas interações, ao desafio de apreender a realidade em sua complexidade, em busca de compreender as múltiplas dimensões das situações que são enfrentadas, estabelecer vínculos (ligações) entre essas dimensões, conectá-las com o que já conhece (nós), representá-las, ampliá-las e transformá-las tendo em vista melhorar a qualidade de vida.

Na rede, aprender é descobrir significados, elaborar novas sínteses e criar elos (nós e ligações) entre parte e todo, unidade e diversidade, razão e emoção, individual e global, advindos da investigação sobre dúvidas temporárias, cuja compreensão leva ao levantamento de certezas provisórias, ou a novos questionamentos (Fagundes, 1999)4 relacionados com a realidade.

O homem apreende a realidade por meio de uma rede de colaboração na qual cada ser ajuda o outro a desenvolver-se, ao mesmo tempo que também se desenvolve. Todos aprendem juntos e em colaboração. “Ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo” (Freire, 1993, p. 9)5.

Aprender em um processo colaborativo é planejar; desenvolver ações; receber, selecionar e enviar informações; estabelecer conexões; refletir sobre o processo em desenvolvimento em conjunto com os pares; desenvolver a interaprendizagem, a competência de resolver problemas em grupo e a autonomia em relação à busca e ao fazer por si mesmo (Silva, 2000)6. As informações são selecionadas, organizadas e contextualizadas segundo as necessidades e interesses momentâneos do grupo, permitindo estabelecer múltiplas e mútuas relações e recursões, atribuindo-lhes um novo sentido que ultrapassa a compreensão individual.

O grupo que trabalha em colaboração é autor e condutor do processo de interação e criação. Cada membro desse grupo é responsável pela própria aprendizagem e co-responsável pelo desenvolvimento do grupo.

Por meio de interações favorecidas pelas TIC, cada participante do grupo confronta sua unidade de pensamento com a universalidade grupal, navega entre informações para estabelecer ligações comconhecimentos já adquiridos, comunica a forma como pensa, coloca-se aberto para compreender o pensamento do outro e, sobretudo, participa de um processo de construção colaborativo, cujos produtos decorrem da representação hipertextual, comunicação, conexão de idéias no computador, levantamento e teste de hipóteses, reflexões e depurações.

Nessa abordagem, a educação é concebida como um sistema aberto, “com mecanismos de participação e descentralização flexíveis, com regras de controle discutidas pela comunidade e decisões tomadas por grupos interdisciplinares” (Moraes, 1997, p. 68)7.

Tecer redes de conhecimento na escola significa assumir a ótica da interação e colaboração entre alunos, professores, funcionários, dirigentes, especialistas e comunidade. Nessa perspectiva, o professor trabalha junto com os alunos e os incentiva a colaborarem entre si, o que favorece “uma mudança de atitude em relação à participação e compromisso do aluno e do professor, uma vez que olhar o professor como parceiro idôneo de aprendizagem será mais fácil, porque está mais próximo do tradicional. Enxergar seus colegas como colaboradores para seu crescimento, isto já significa uma mudança importante e fundamental de mentalidade no processo de aprendizagem” (Masetto, 2000, p. 141)8.

Assim, as interações entre as pessoas que se envolvem na criação dos nós de suas redes de conhecimento propiciam as trocas individuais e a constituição de grupos que interagem, pesquisam e criam produtos ao mesmo tempo que se desenvolvem. Cada ser retira do hipertexto as informações que lhe são mais pertinentes, internaliza-as, apropria-se delas e as transforma em uma nova representação hipertextual; ao mesmo tempo que se transforma, volta a agir no grupo transformado e transformando o grupo.

Redefine-se o papel do professor: “mais do que ensinar, trata-se de fazer aprender (…), concentrando-se na criação, na gestão e na regulação das situações de aprendizagem” (Perrenoud, 2000, p. 139)9, cuja mediação propicia a aprendizagem significativa aos grupos e a cada aluno. Desta forma, pode-se mobilizar os alunos para a investigação e a problematização, alicerçados no desenvolvimento de projetos, solução de problemas, reflexões individuais e coletivas, nos quais a interação e a colaboração subsidiam a representação hipertextual do conhecimento.

Ensinar é organizar situações de aprendizagem, criando condições que favoreçam a compreensão da complexidade do mundo, do contexto, do grupo, do ser humano e da própria identidade. Diz respeito a levantar ou incentivar a identificação de temas ou problemas de investigação, discutir sua importância, possibilitar a articulação entre diferentes pontos de vista, reconhecer distintos caminhos a seguir na busca de sua compreensão ou solução, negociar redefinições, incentivar a busca de distintas fontes de informações ou fornecer informações relevantes, favorecer a elaboração de conteúdos e a formalização de conceitos que propiciem a aprendizagem significativa.

Criar ambientes de aprendizagem com a presença das TIC significa utilizar a TIC para a representação, a articulação entre pensamentos, a realização de ações, o desenvolvimento de reflexões que questionam constantemente as ações e as submetem a uma avaliação contínua.

O professor que associa as TIC aos métodos ativos de aprendizagem desenvolve a habilidade técnica relacionada ao domínio da tecnologia e, sobretudo, articula esse domínio com a prática pedagógica e com as teorias educacionais que o auxiliem a refletir sobre a própria prática e a transformá-la, visando explorar as potencialidades pedagógicas das TIC em relação à aprendizagem e à conseqüente constituição de redes de conhecimentos.

A aprendizagem é um processo de construção do aluno – autor de sua aprendizagem, mas nesse processo o professor, além de criar ambientes que favoreçam a participação, a comunicação, a interação e o confronto de idéias dos alunos, também tem sua autoria. Cabe ao professor promover o desenvolvimento de atividades que provoquem o envolvimento e a livre participação do aluno, assim como a interação que gera a co-autoria e a articulação entre informações e conhecimentos, com vistas a construir novos conhecimentos que levem à compreensão do mundo e à atuação crítica no contexto.

O professor atua como mediador, facilitador, incentivador, desafiador, investigador do conhecimento, da própria prática e da aprendizagem individual e grupal. Ao mesmo tempo em que exerce sua autoria, o professor coloca-se como parceiro dos alunos, respeita-lhes o estilo de trabalho, a co-autoria e os caminhos adotados em seu processo evolutivo. Os alunos constroem o conhecimento por meio da exploração, navegação, comunicação, troca, representação, criação/recriação, organização/ reorganização, ligação/religação, transformação e elaboração/reelaboração.

A incorporação da TIC na escola favorece a criação de redes individuais de significados e a constituição de uma comunidade de aprendizagem que cria a sua própria rede virtual de interação e colaboração, caracterizada por avanços e recuos num movimento não-linear de inter-conexões em um espaço complexo, que conduz ao desenvolvimento humano, educacional, social e cultural.

O movimento produzido pelo pensar em redes de conhecimento propicia ultrapassar as paredes da sala de aula e os muros da escola, rompendo com as amarras do estoque de informações contidas nas grades de programação de conteúdo. Desta forma, parcela significativa desse contingente de analfabetos (de fato ou funcionais) poderá desenvolver a capacidade de utilizar a TIC na criação de suas redes de conhecimento, superando um grande obstáculo para a construção de uma sociedade mais justa, ética e humanitária.

Para incorporar a TIC na escola, é preciso ousar, vencer desafios, articular saberes, tecer continuamente a rede, criando e desatando novos nós conceituais que se inter-relacionam com a integração de diferentes tecnologias, com a linguagem hipermídia, teorias educacionais, aprendizagem do aluno, prática do educador e a construção da mudança em sua prática, na escola e na sociedade. Essa mudança torna-se possível ao propiciar ao educador o domínio da TIC e o uso desta para inserir-se no contexto e no mundo, representar, interagir, refletir, compreender e atuar na melhoria de processos e produções, transformando-se e transformando-os.

Autor: Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida

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PIERRE LÉVY, O FILÓSOFO DA CIBERCULTURA

Para o professor da Universidade de Paris e um dos principais pensadores mundiais das relações entre desenvolvimento humano e internet, vivemos uma quarta revolução na comunicação que altera o modo como aprendemos e consumimos informação.

Pierre Lévy   O volume de informações produzido no planeta em meios digitais já é de 1,8 zettabyte (para se ter ideia, 1 zettabyte é igual a 1.000.000.000.000.000.000.000 bytes). Para lidar com tanta informação, foi preciso criar uma série de soluções tecnológicas como o Big Data, que permite analisar e fazer relações entre quaisquer informações digitais e em tempo real. Um estudo da University of Southern California, divulgado em 2011, indica que cada um de nós recebe, por dia, uma quantidade de informações equivalente a 174 jornais – cinco vezes mais informações do que recebíamos em 1986. E foi justamente nos anos 1980 que o filósofo Pierre Lévy concluiu seu mestrado em História da Ciência na Universidade de Sorbonne, em Paris, e lançou sua primeira obra, A Máquina Universo – Criação, Cognição e Cultura Informática (1987), que falava sobre o computador e os desdobramentos da informatização do mundo, no contexto das culturas ocidentais. De lá para cá, Lévy, um dos nomes mais influentes quando o assunto é o uso da tecnologia na educação e no desenvolvimento humano, encontrou seu campo de estudo. LançouInteligência Coletiva: Por uma Antropologia do Ciberespaço em 1994; O que é o Virtual?em 1995; e Cibercultura em 1997 – item essencial na biblioteca, a obra ainda é atual para refletirmos sobre as relações sociais e o universo virtual. Para o filósofo tunisiano e naturalizado francês, vivemos, hoje, a “quarta revolução da comunicação” (as três anteriores para Lévy foram a invenção da escrita, do alfabeto e da imprensa), que nos permite o amplo acesso às informações graças à cultura digital instaurada nas últimas décadas. Não à toa, iniciativas como o crowdlearning, ocrowdsourcing e o crowdfunding – focadas na ação coletiva – têm ganhado força com o advento das redes sociais. Aprender a produzir conhecimento coletivamente é, aliás, uma habilidade que deve ser ensinada na escola em tempos de cultura digital, assim como orientar os alunos para que saibam selecionar as informações que têm ou não qualidade em meio à avalanche de dados que recebemos diariamente. “É diferente você acessar uma informação ou ser capaz de resolver um problema a partir desta informação. E é este um dos papeis dos educadores hoje, possibilitar que os alunos pensem criticamente e estrategicamente com o que a internet oferece”, pontua César Nunes, professor de Filosofia na Educação na Universidade de Campinas (UNICAMP). Como se vê, a obra de Lévy provoca reflexões sobre as mudanças irreversíveis na cultura e na comunicação que impactam a educação ocidental. Se aprofundarmos a discussão, ela nos ajuda a pensar como o acesso às tecnologias impacta a sala de aula contemporânea – a sua sala de aula. Por isso, esta é a primeira de uma série de reportagens sobre cada um dos pensadores da Tecnologia e da Educação. Depois de entender os principais conceitos desenvolvidos por Pierre Lévy, vamos explicar, ainda, o que pensam profissionais como Howard Gardner, Edgar Morin, Manuel Castells, Philippe Perrenoud, a brasileira Martha Gabriel, entre outros. A ideia é aproximar a visão dos grandes pensadores ao cenário educacional brasileiro e às principais tendências de ensino e de aprendizagem. Assista aos documentários produzidos pelo SESC TV sobre o filósofo: vídeo Pierre Entenda as principais ideias de Pierre Lévy
CIBERNÉTICA E CIBERCULTURA

O estudo da cibernética está presente nas obras de Pierre Lévy desde o começo de sua trajetória profissional, na década de 1980, quando ele se dedicava a entender o impacto da invenção do computador na sociedade. Anos depois, ainda nos primórdios da internet, o filósofo passou a analisar como a ação humana nos meios digitais pode se converter em uma forma de empoderamento e desenvolvimento humano. 

Em mais de dez livros publicados, o autor defende a “revolução virtual” como a sequência da escrita e da linguagem e afirma que a cultura digital deve demorar para se posicionar tanto quanto suas predecessoras. “Não podemos esquecer que a escrita foi inventada há cerca de três mil anos, o alfabeto há mil e não é a totalidade do mundo que sabe ler e escrever”, explica ele mesmo em uma palestra no Brasil, em 2002, no SESC Vila Mariana. 

INTELIGÊNCIA COLETIVA

Para Pierre Lévy, o conceito de inteligência coletiva baseia-se no compartilhamento de nossas funções cognitivas – como o raciocínio e a capacidade de pensamento –, com a aptidão que temos para a competição. A ideia de inteligência coletiva, para o filósofo, nasceu junto com a linguagem e não com as tecnologias contemporâneas, mas é evidente que a revolução impulsionada pela vida digital – com cada vez mais recursos que permitem a cooperação – contribui para o exercício do desenvolvimento coletivo. 

“É importante que o professor dê um significado real ao que os alunos estão construindo para fazer com que eles acreditem na aprendizagem”, aponta César. Ele exemplifica que, com um dispositivo móvel como um tablet, é possível registrar em tempo real o trabalho da turma em blog, por exemplo, e deixar os alunos alimentarem colaborativamente aquele espaço e assim torná-lo protagonista de uma experiência real. “Neste quesito a tecnologia contribui muito para o aprendizado, pois ela se torna uma coisa natural na sala de aula”, defende. 

VIRTUAL

As reflexões sobre o virtual são mais um dos cernes da obra de Pierre Lévy. O filósofo vai contra o pensamento de que os mundos virtual e real “caminham paralelamente” e afirma que as manifestações que ocorrem na rede são concretas e desterritorializadas. A existência do virtual potencializa a inteligência coletiva e possibilita a cibercultura, uma revolução no modo como as pessoas aprendem, trabalham e se relacionam.

No universo educacional, o projeto “Schools That Work”, do Edutopia, prova como o virtual pode proporcionar experiências reais a partir da rede. No site, é disponibilizado um mapeamento de escolas pelo mundo com projetos que deram certo, acompanhado de vídeos e textos sobre cada um, com dicas para que educadores sigam as ideias desenvolvidas. Quem quiser ir mais a fundo ainda pode entrar em contato com os coordenadores destes projetos, que também compartilham planos de aulas e ferramentas. 

“A conectividade que temos hoje deixou a tecnologia tão transparente que não vivemos mais uma cibercultura. Vivemos uma cultura! Não existe mais uma separação”, explica César. 

A CARA DO BRASILEIRO

“Afinal, quem somos nós, os brasileiros? À primeira vista, a resposta para essa pergunta é fácil: somos o produto da miscigenação entre os colonizadores portugueses, os índios que aqui viviam e os africanos trazidos como mão-de-obra escrava, além dos imigrantes que chegaram entre os séculos 19 e 20 – como alemães, italianos, japoneses. Até aí, tudo bem. Somos, enfim, um povo mestiço genética e culturamente que, apesar da diversidade, compartilha certos traços em comum.”

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